O que é que cada um de nós está a fazer pelos outros?
Liderança Servidora e o Mês Ubuntu do Serviço
A liderança servidora é um dos pontos cardeais que guia a Academia de Líderes Ubuntu desde o início da sua história. É, juntamente com a ética do cuidado e com a construção de pontes, uma dimensão que se transforma na lente com que escolhemos olhar o mundo. Uma lente que nos convida a viver de forma relacional, interdependente e colaborativa, colocando as nossas capacidades ao serviço do bem comum.
Sabemos, porém, que juntar estes conceitos pode parecer paradoxal, mas é precisamente aqui que está o segredo. Um líder serve, escuta e pensa em comunidade. Faz-se próximo e torna-se exemplo através das ações de todos os dias, com toda a coragem que isso exige: tanto para tomar decisões importantes, como para admitir quando errou.
Ser um líder Ubuntu é ser um líder servidor, alguém que se coloca ao serviço do outro e da comunidade. É, por isso, a dimensão e o pilar do método Ubuntu que agrega todos os outros: pela necessidade de conhecer-se e confiar nas suas capacidades; de cuidar de si, mas também do outro; de construir pontes e viver em relação, com toda a resiliência e empatia que isso implica.
É um exercício que nem sempre é fácil, tanto por nos encontrarmos em permanente construção, enquanto pessoas que procuram chegar à sua melhor versão, como por vivermos num mundo onde diariamente nos chegam notícias de divisões, guerras e indiferença. É precisamente neste contexto que surge o Mês Ubuntu do Serviço: uma iniciativa que desafia a Comunidade Ubuntu a, durante os 31 dias do mês de maio, ser a mudança que quer ver no mundo.
Através de dinâmicas e desafios pensados para todas as idades, o objetivo é trazer o serviço para a ordem do dia, criando espaços de discussão e reflexão, mas também lançando o convite à ação. Martin Luther King, no seu livro de sermões Strength to Love, publicado em 1963, deixa-nos a pergunta à qual procuramos responder através desta iniciativa:
“A pergunta mais persistente e mais urgente é: o que é que cada um de nós está a fazer pelos outros?”
Não existe uma fórmula mágica que funcione para todos. Através desta iniciativa pretendemos mostrar que existem muitas formas de fazer a diferença no mundo e que isso nem sempre exige atos heroicos. A história mostra-nos exemplos de líderes que transformaram realidades: como Rosa Parks, que recusou ceder o seu lugar no autocarro e se tornou símbolo da luta pelos direitos civis; Aristides de Sousa Mendes, que escolheu a humanidade acima da autoridade e salvou milhares de vidas; ou Malala, que desafiou o extremismo ao defender o direito das meninas à educação.
Mas o serviço também vive nos gestos mais simples e quotidianos: na vizinha que leva sopa quando alguém está doente, na professora que fica depois da aula para ajudar um aluno ou em quem escolhe escutar, acolher e cuidar de quem tem ao lado.
São várias as formas de fazer a diferença no mundo. Madre Teresa de Calcutá dizia que o seu trabalho era “uma gota no oceano”, mas que, sem ela, “o oceano seria menor”. Na Academia de Líderes Ubuntu acreditamos precisamente no poder destas pequenas ações, na soma das pequenas gotas que formam um oceano mais humano, próximo e solidário.
Foi por isso que, nesta segunda edição do Mês Ubuntu do Serviço, desafiámos a Comunidade Ubuntu a estar ao serviço através do diálogo, convidando cada pessoa a ver e ouvir quem tantas vezes passa despercebido e a abrir-se a um diálogo que se quer diário, intencional e empático. O mote “DIAlogo com o mundo” transformou-se, assim, num convite à aproximação: servir não apenas quem conhecemos, mas também quem nos parece distante ou diferente, alargando horizontes e transformando a forma como olhamos o outro e o mundo.
Durante o mês de maio, cerca de 70 instituições e mais de 15 000 pessoas juntaram-se a esta iniciativa, transformando os seus contextos em espaços de diálogo, relação e serviço. John Volmink entende o serviço como “um ponto de partida, mas também de chegada de um processo de construção individual que é circular, crescente e sempre incompleto”. Assim é também o Mês Ubuntu do Serviço: não uma missão extraordinária reservada a alguns, mas um caminho que se constrói diariamente no encontro com o outro.
Talvez seja precisamente aí que começa a transformação: quando escolhemos não passar ao lado e procuramos responder, todos os dias, àquela que continua a ser uma das perguntas mais persistentes e urgentes da nossa humanidade: “o que é que cada um de nós está a fazer pelos outros?”
por: equipa de Conteúdos IPAV

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