A voz dos jovens no centro do segundo Conselho Nacional Consultivo de Crianças e Jovens Acolhidos
O segundo encontro do Conselho Nacional Consultivo de Crianças e Jovens Acolhidos (CNC) voltou a reunir jovens representantes de diferentes regiões do país, num dia dedicado à participação, à reflexão sobre o sistema de acolhimento e à construção de propostas para o futuro. A iniciativa integrou o projeto «A Nossa Voz», desenvolvido pelo Instituto Padre António Vieira (IPAV) em colaboração com o Instituto da Segurança Social.
O encontro deu continuidade ao percurso iniciado com a Assembleia Nacional de Jovens Acolhidos (ANJA), realizada em janeiro de 2024, que reuniu 183 jovens de 172 casas de acolhimento e deu origem a 16 recomendações sobre o funcionamento e a melhoria do sistema de acolhimento. Posteriormente, foram eleitos 30 representantes para integrar o Conselho Nacional Consultivo, assegurando a continuidade da participação dos jovens nas decisões que dizem respeito às suas vidas.
A sessão de abertura contou com a participação de Aldevina Rodrigues, Vogal do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social; Rui Nunes da Silva, Presidente do Instituto Padre António Vieira (IPAV); Cláudia Paulo, Diretora da Unidade de Desenvolvimento da Parentalidade e Acolhimento Familiar; e Fátima Matos, Presidente da Casa Pia de Lisboa.
Ao longo do dia, os participantes foram divididos em dois grupos de trabalho, com atividades dirigidas aos jovens conselheiros e aos profissionais que os acompanharam.
Das recomendações de 2024 aos desafios atuais do acolhimento
Durante a manhã, os jovens eleitos para o Conselho Nacional Consultivo revisitaram as recomendações apresentadas na primeira Assembleia Nacional de Jovens Acolhidos, em 2024, refletindo sobre os avanços alcançados e os desafios que permanecem.
O trabalho partiu das propostas que os próprios jovens identificaram como prioritárias, nomeadamente o reconhecimento da sua individualidade e das suas liberdades, a necessidade de formação especializada das equipas técnicas e a melhoria das infraestruturas e da organização interna das casas de acolhimento.
A reflexão foi também enquadrada pelas alterações legislativas e pelas medidas de requalificação do sistema de acolhimento, permitindo relacionar as reivindicações dos jovens com as respostas entretanto previstas.
Entre os temas abordados estiveram a importância de um acompanhamento individualizado, a criação de condições que promovam a privacidade e a autonomia, a qualificação das equipas e o direito dos jovens a serem ouvidos nas decisões que os afetam.
Este momento procurou reforçar a importância de dar continuidade às propostas apresentadas, reconhecendo que a participação dos jovens deve traduzir-se num processo de diálogo e acompanhamento das mudanças no sistema de acolhimento.
Uma Carta de Princípios para o futuro Conselho Nacional Consultivo
Durante a tarde, os jovens dedicaram-se à construção de uma Carta de Princípios para o próximo Conselho Nacional Consultivo, refletindo sobre os valores, compromissos e orientações que devem acompanhar o trabalho dos futuros representantes.
A atividade constituiu uma oportunidade para pensar o papel dos conselheiros, a responsabilidade de representar outros jovens em situação de acolhimento e a importância de assegurar que diferentes experiências e perspetivas são consideradas.
Mais do que um exercício de reflexão, a elaboração desta carta procurou contribuir para a continuidade do Conselho enquanto espaço de participação ativa, onde os jovens possam expressar as suas preocupações, apresentar propostas e participar na construção de respostas que afetam diretamente as suas vidas.
A empatia no centro do trabalho com os profissionais
Em paralelo, os técnicos e educadores que acompanharam os jovens participaram num espaço próprio de encontro e capacitação, dedicado ao desenvolvimento da empatia.
Através de dinâmicas participativas e momentos de reflexão, os profissionais foram convidados a explorar a importância da escuta, da compreensão das diferentes perspetivas e da construção de relações de confiança no acompanhamento de crianças e jovens em acolhimento.
Este momento permitiu valorizar a dimensão relacional do cuidado, reforçando a importância de reconhecer cada jovem na sua individualidade e de criar condições para que se sinta verdadeiramente escutado, respeitado e envolvido nas decisões sobre o seu percurso.
A voz dos jovens chega aos decisores
O encontro terminou com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos ao longo do dia a Clara Marques Mendes, Secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, num momento que permitiu dar visibilidade às reflexões e propostas construídas pelos jovens.
Integrado no projeto «A Nossa Voz», o Conselho Nacional Consultivo procura precisamente fortalecer a participação cívica das crianças e jovens acolhidos, reconhecendo-os como protagonistas na identificação de necessidades e na construção de propostas para melhorar o sistema.
Escutar os jovens é reconhecer o seu direito a participar nas decisões que dizem respeito às suas vidas. Garantir que essa participação tem continuidade e influência é um compromisso essencial para construir um sistema de acolhimento mais atento, próximo e centrado em cada criança e jovem.
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